Minha Experiência com o Judaísmo Messiânico em Santiago de Chile

Um grande milagre é precedido por muitos milagres menores. Minha experiencia nestes últimos cinco anos se junta nestes fragmentos, apontando para o grande milagre, que antecede a segunda vinda de Jesus: a consolidação do corpo do messias, contendo judeus e gentios. Tudo se inicia em setembro de 2015, quando sou convidado, na empresa em que trabalho, para deslocar-me para Santiago de Chile.

Uma grande oportunidade fantástica, no momento inadequado. Minha esposa é professora, concursada do estado, e meus filhos estavam em fase universitária, o que impossibilitava de fazer a mudança com todos naquele momento. Após um período de inquietude e muita oração, decidimos que eu deveria ir e depois veríamos como direcionar a questão familiar.

Deus tem tudo sobre seu controle. Uma semana antes da viagem, fui para o Museu da Bíblia, na cidade de Barueri, para ouvir o palestrante austríaco Johannes Fichtenbauer. Sua ministração foi sobre o Mistério da Oliveira, publicado posteriormente pela editora Impacto. As duas horas de ministração, pareceram-me dez minutos. Seu conflito ideológico e quebrantamento, a história do judaísmo messiânico e a necessidade de conserto me deixou fortemente impactado. Foi como uma abertura de cortinas para um novo ato, um novo capítulo de nossa história. No entanto, o que mais me surpreendeu foi no final, quando ouvi claramente o Espírito Santo dizendo: para experimentar estas coisas que estou teu te levando para o Chile. Sai daquele local com uma grande paz no coração e com baterias totalmente recarregadas.

Desembarquei em Santiago no final de setembro do mesmo ano, sendo os três meses seguintes super acelerados.  Gastei um longo período com ajuste linguístico, idas e vindas ao mistério de relações exteriores para regularização de minha condição de estrangeiro, providenciar um local para morar e integração com as equipes de trabalho. No final desta avalanche me faltou somente a liberação do serviço de internet e tv acabo para o meu novo endereço. Depois de contatar as principais empresas deste serviço, todos me disseram que não me disponibilizariam o serviço até que eu tivesse o documento de permanecia definitiva, o que leva dois anos para obter. A alternativa seria que algum chileno fizesse o firmasse o contrato, indicando meu endereço, o que não me trazia conforto ético.

Em paralelo comecei a fazer minha busca pelos judeus messiânicos chilenos. Usando todos os meios disponíveis, amigos, google, caminhadas pelas ruas da cidade aos fins de semana, não encontrei nenhum sinal deles, até que chegou o mês de abril de 2016. Em uma tarde de sexta-feira, chegando do trabalho, me chamou a atenção uma pilha de folheto de uma grande empresa de internet disponível no balcão da recepção do prédio, contendo o nome e telefone de um agente. Já descrente com possibilidade tomei um exemplar e liguei para o sujeito. Gentilmente me atendeu e me explicou que era responsável por atender cliente em nosso edifício. Lhe propus conversarmos no dia seguinte e ele educadamente me disse que não poderia, pois teria atividade na igreja. Finalmente acertamos a visita para a segunda-feira, durante à noite.

Deus tem seu jeito de fazer as coisas. Chegando do trabalho na segunda, já encontro um senhor muito simpático na portaria, o representante da empresa. O convido para subir e, já sentados à mesa, antes de falar de negócio, para satisfazer minha curiosidade, lhe perguntei de que igreja ele era. Abrindo um sorriso, delicadamente retirou sua boina, e sobre a cabeça pude ver um kipá. Tratava-se de Pedro Soto Santibáñez, presidente da comunidade judaico-messiânica de Chile. Me senti pasmo de ver o senso de humor do Pai, de como Ele cuida de tudo de forma tão sublime. Conversamos por duas sobre as coisas do alto, assinado o contrato nos últimos cinco minutos da conversa, sem qualquer questionamento. No sábado seguinte estava eu na minha primeira celebração do Shabat, na comunidade Benei Adon Olam (Filhos do Senhor do Universo), em preparação para o pesách, que em 2016 foi celebrada no dia 22 de abril.

Na comunhão com a comunidade, me sentia da família, porem no conhecimento, como um menino. Pude visualizar, como Johannes comentou naquela noite, a falta que faz a mentalidade e língua hebraica em nossa teologia. Me tornei quase um “escriba”, estando com um caderno e caneta escrevendo o máximo que possível para não perder o conhecimento compartilhado.  Passei também a estudar ensinos judaicos e, pouco tempo depois me matriculei em uma escola Israelita, em um curso de hebraico bíblico. Temos um mundo de restauração teológica por fazer e claro, sem nos tornarmos prosélitos. Outra experiencia tremenda é entender os tempos estabelecidos (moadim), demarcando as festas (chag). Vivencia-las é uma imersão restauradora e profética, costurando os pactos, a obra redentora do Messias e sua segunda vinda.

A comunidade Benei Adon Olam, assemelha-se a nossas reuniões familiares, considerando o aspecto de amor e ajuda mútua. No entanto, se destaca a preocupação com a palavra e acolhimento aos estrangeiros. Todos estudam ensinam e discutem a palavra. Este contato auxiliou no início dos congressos judaico-cristão no Vale da Águia, em Sorocaba, nos permitindo desmistificar muito destes dois mundos, gerando perdão e comunhão. Hoje nos consideramos comunidades irmãs, nos edificando mutualmente.

No entanto o Pai não deixa de nos surpreender. Em pouco tempo já estávamos em contato com representantes do TJCII, Toward Jerusalem Council II (Rumo ao Segundo Concilio de Jerusalém), engatando nossa comunidade esforço global de reconciliação entre judeus e gentios. Deus continue nos dando graça para que sejamos instrumento de realização de seus propósitos na terra. Baruch habah beshem Adonai.

Por Wailton de Carvalho

Junho 2024